GENTE DE TEATRO: Amanda Nievi

Mariana M. Braga

O teatro nasceu há milhares de anos e se ele existe até hoje é sobretudo graças aos apaixonados por essa arte, sobre o palco, nos bastidores, nas plateias, nos ensaios, nos projetos, na escrita, nos estudos. Em homenagem a eles o Cortinas Abertas agora tem uma nova coluna: Gente de teatro, que apresentará frequentemente entrevistas e o perfil de algumas dessas pessoas apaixonadas pela arte. Nossa primeira entrevistada é uma atriz que ama os palcos: Amanda Nieviadonski (Amanda Nievi).

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Curitibana, Amanda começou a fazer teatro quando ainda era criança. Nos seus primeiros dias dentro da Cia. Verás Atores Mirins, ela acompanhou os ensaios de uma peça que o grupo reapresentaria dentro de alguns meses. Ela assistiu aos primeiros encontros com os olhinhos brilhando, sonhando com o dia em que estaria ali, junto com seus colegas, se preparando para pisar nos palcos. E esse momento não demorou a chegar: com seu talento e dedicação, ela nem precisou esperar a próxima montagem do grupo e logo começou a fazer parte do elenco de “A Menina e o Vento”.

PARTICIPAÇÕES NO PALCO: “A Menina e o Vento”, “Putz, A Menina que Buscava o Sol”, “O Pequenino Grão de Areia”, “A Ver Estrelas”, “Pollyanna”, “Ao Pé da Letra”, “O Sonho de Voar” e outras performances.

NASCIMENTO: 1992

Você e o teatro: foi amor à primeira vista?

Com toda certeza. Foi impossível não me apaixonar, me fazia tão bem e me ensinou tanta coisa! Foi apaixonante.

O que te levou a fazer teatro?

O gosto pela arte. Sempre gostei muito de ler, escrever, pintar, desenhar, cantar, dançar. Minha família sempre incentivou a cultura, e o teatro tinha tudo que eu gostava, pareceu um passo natural. Quando surgiu a oportunidade, aproveitei e não me arrependi.

Como foi seu primeiro contato com o teatro?

Como expectadora, desde que me conheço por gente! Meus pais sempre me levavam ao teatro desde sempre, e sempre me colocaram em escolas que incentivavam a cultura. Na escola onde fiz o ensino fundamental, por exemplo, as turmas acima da 5ª série montavam uma peça para apresentar para o resto da escola, todo ano. Entrávamos em contato com toda a produção de uma peça e isso abria portas para que o interesse continuasse. Logo depois da primeira montagem da qual participei, uma amiga minha me convidou para participar de uma companhia de teatro de atores mirins. Aí sim aprendi o que era teatro de verdade e me encantei.

O que o teatro mudou em sua vida?

Muita coisa. Desde as coisas que naturalmente se aprende com o teatro, como melhorar a articulação para falar, ser mais desinibida, me concentrar melhor, controlar meu corpo, minhas emoções, etc. Mas o mais importante foi o que eu aprendi com a companhia, com minhas companheiras de elenco, meus diretores, a equipe técnica. Aprendi noções de caráter, de valores, refleti sobre coisas que nunca tinha pensado antes. Comecei a valorizar mais cada fase da vida conforme elas chegam, por exemplo. As coisas que aprendi eu levo para o resto da minha vida, lições que não esqueci até hoje.

Ser atriz muda a forma de ser espectadora?

Drasticamente. Como atriz, com o conhecimento do que acontece por trás do palco, o olhar capta outras coisas, outras nuances. Existem conceitos um tanto quanto abstratos no teatro, como energia, ritmo, concentração, que só sabendo como é estar do outro lado torna possível notar e perceber se faltou ou não. Esse conhecimento também ajuda na hora de julgar se uma peça é boa ou não, de uma maneira que vai além do gostei/não gostei. Isso me tornou mais exigente, mas também me fez gostar ainda mais de assistir peças. Nada melhor do que estar em contato com o que você conhece bem e gosta muito.

O que você acha do teatro em Curitiba? Está havendo mais espaço para a arte?

Quanto à qualidade, eu gosto muito. Existem grupos muito bons atuando por aqui. Mas acho que falta oferta, faltam mais grupos, mais peças. Falta o bom e velho incentivo também, algo que todos da classe artística reclamam. Também falta formação de público, educação da população para que aprendam a ir ao teatro e gostar disso. Mas isso é uma via de mão dupla: enquanto não houver peças acessíveis à massa, tanto no preço quanto no conteúdo, vai ser difícil criar um público cativo. Sinto que as pessoas só vão ao teatro durante o Festival de Teatro, o que já é ótimo, uma oportunidade fantástica, mas falta uma mudança para que esse público mantenha o hábito de assistir peças durante o resto do ano também. E essa mudança tem que vir de todos os lados: do governo, das pessoas e da classe artística também.

Se você precisasse escolher um único momento de toda a sua relação com o teatro, qual seria?

É muito difícil. Foram tantos momentos especiais. Mas sem dúvida os que mais marcam são as primeiras e as últimas apresentações. Nada supera a emoção ansiosa de uma estreia nem a alegria satisfeita de uma última apresentação. E claro, o momento do agradecimento, em que recebemos os aplausos, é sempre um momento único.

Há alguma fala que você sabe até hoje de cor? Qual é a primeira que vem à cabeça?

Lembro de algumas. A que me vem primeiro à cabeça é da minha última peça, que era uma adaptação do Pequeno Príncipe, na qual eu interpretava a Flor: “Ah, me desculpe, mas estou toda despenteada!”. Mas acabo lembrando mais as falas dos outros do que as minhas. E músicas, músicas me marcam muito. Posso citar (e até cantar/cantarolar) pelo menos uma por peça.

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