Teatro de Objetos e o mundo maior

Mariana M. Braga

No feed de notícias do Facebook, a postagem de Taty Dutti me lembrou do “Inventar aumenta o mundo”, de Manoel de Barros. Logo me lembrei também da invenção sobre a invenção, a criação de um outro mundo: o Teatro de Objetos.

Em uma Master Class na École Normale Supérieure de Lyon em dezembro de 2011, pude conhecer o trabalho do grupo Turak Théâtre na teoria e na prática. Como foram poucos dias, não exploramos tantos objetos variados: nos focamos mais nos bonecos, que nos ensinaram a chamar de “personagens”.

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Foto: Anne Pellois/Emilie Charlet

No começo parece um trabalho muito curioso, em que somos atores, mas os personagens são objetos. Qual é a linha que une um ao outro? Fisicamente, um dos nossos braços faz o movimento da cabeça e o outro é um dos braços do personagem. Também é possível deixar a cabeça cair e esticar os dois braços: tudo se trata de conhecer o personagem.

Mas ao longo do trabalho entendemos que o personagem se torna não apenas fisicamente uma extensão do nosso corpo e que ali somos um só. Para o público os atores são neutros, vestidos de preto, mas as pernas completam o corpo do “boneco”. Assim o corpo e o objeto se complementam. É aí que realmente começa a surgir o personagem. E ele só acaba sendo visto pelo espectador e pelos outros atores em cena como algo realmente vivo quando aprendemos a dar vida ao seu olhar: treinamos inclusive para saber posicioná-lo, em atividades de pequenos grupos. Seguimos com a cabeça do personagem os movimentos lançados pela mão do colega que segura um lápis.

Na nossa apresentação ao público, começamos com os personagens no chão, deitados. Durante um aquecimento em cena, os personagens iam nascendo, à medida que o corpo e a mente estivessem preparados para vesti-los.

O Teatro de Objetos cria um mundo em que nosso corpo se estende, em que uma xícara pode ser a cabeça de um personagem ao mesmo tempo lúdico e real. Conseguimos ver uma boneca com cabeça de torneira e acreditar no que ela faz. Enquanto damos um toque de ser humano aos objetos, passamos a nos reconhecer como parte deles também, podendo criar com eles um novo universo.

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Foto: Anne Pellois/Emilie Charlet

Veja o vídeo do grupo Turak: 

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